Pesquisadora analisa a obra de Oscar Niemeyer em São Luis

Foto: Paulinha Alcoforado
SÃO LUÍS – Arquitetos e paisagistas mundialmente admirados, deixaram um pouco de seus talentos em São Luís. Oscar Niemeyer, que faleceu nesta quarta-feira (5), foi um deles. Ele desenvolveu em São Luís um projeto marcante, que sintetiza algumas das principais características da Arquitetura Moderna: o Memorial Maria Aragão.
Entregue no dia 25 de junho de 2004, o Memorial Maria Aragão é uma criação do arquiteto Oscar Niemeyer, um dos mais influentes do mundo por sua significativa contribuição para a Arquitetura Moderna. O projeto traz um Memorial, com fotos e objetos pessoais da homenageada; um espaço para receber atrações; e um auditório. “As características mais marcantes estão nas cores brancas, no traço curvo, e na simplicidade. É uma construção econômica que utiliza muito concreto. É uma solução formal que tem custo muito baixo em termos de construção. Não tem ornamentos, o que é típico dele e próprio da arquitetura modernista”, descreveu Bárbara Irene Wasinski Prado, doutoranda em Urbanismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e professora do curso de Arquitetura de Urbanismo da Universidade Estadual do Maranhão (Uema).
A obra desde sua época de lançamento suscitou curiosidade e críticas entre os ludovicenses. “O Oscar Niemeyer era um arquiteto modernista, um dos mais importantes no mundo, e a arquitetura que ele fez é específica para o clima frio. Ele vendeu bem a arquitetura brasileira. Aqui, em São Luís, a praça não apresenta as característica de um espaço que a população possa usar durante o dia. Já fizemos medição com os estudantes da Uema e o piso chega a alcançar a temperatura de até 68°C, à tarde, em uma época de setembro e outubro. Isso é muito quente. Dessa forma, acaba sendo um espaço para ser usado em alguns momentos do dia”, criticou a professora.
Para Bárbara Irene Wasinski Prado, a estrutura da praça serve apenas como suporte para receber a obra do arquiteto modernista. “Basicamente, ela é um monumento para receber a obra dele. É uma pavimentação extensa para marcar a presença da obra deste autor. Do ponto de vista urbanístico, ela não tem uma aproximação com a cidade, com as características de São Luís, ou mesmo com o contexto insular e ecológico”, destacou. A arquiteta e professora da Uema defende ainda que a obra poderia ter otimizado a relação custo benefício. “Ela é muito simples, muito econômica. É a presença de um grande arquiteto no Maranhão”, completou.
Ainda que critique alguns aspectos do Memorial Maria Aragão, Bárbara Irene Wasinski Prado reconhece a importância de ter na cidade uma criação de Oscar Niemeyer. “Havia uma concorrência nacional para ter uma obra de Niemeyer. Todo mundo queria investir na tal da última obra de Niemeyer. As pessoas queriam ter aquela marca diferencial, dada a sua importância”, observou.
Sobre a pesquisadora
Bárbara Irene Wasinski Prado tem um estudo focado em Paisagismo, e é professora do curso de Arquitetura de Urbanismo da Universidade Estadual do Maranhão (Uema). 
Imirante

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