Mercado reduz previsão de inflação em 2026 e projeção segue acima da meta

O mercado financeiro reduziu levemente a previsão para a inflação brasileira em 2026. Segundo o Boletim Focus divulgado nesta terça-feira (8) pelo Banco Central, a estimativa para o IPCA passou de 5,01% para 5%.

Apesar da revisão, a projeção continua acima do teto da meta de inflação, fixada em 3% pelo Conselho Monetário Nacional, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. O limite máximo, portanto, é de 4,5%.

A expectativa dos analistas ocorre após uma sequência de desaceleração da inflação. Em julho, o IPCA avançou apenas 0,07%, influenciado principalmente pela queda nos preços dos alimentos. Com isso, o índice acumulado em 12 meses recuou para 4,44%.

O resultado fez a inflação voltar para dentro do intervalo de tolerância da meta. O IPCA de agosto será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na sexta-feira (11).

Para os próximos anos, o mercado projeta inflação de 4,29% em 2027, 3,8% em 2028 e 3,5% em 2029.

Selic deve terminar o ano em 13,75%

A taxa básica de juros também aparece entre as principais projeções do Focus. Atualmente em 14% ao ano, a Selic deverá encerrar 2026 em 13,75%, segundo as instituições financeiras consultadas pelo Banco Central.

A previsão para 2027 é de 12%, enquanto para 2028 o mercado estima uma taxa de 10,5%. Em 2029, a expectativa é de Selic em 10% ao ano.

O cenário de juros ainda é influenciado pela necessidade de conter a inflação. Embora o Copom tenha realizado quatro cortes consecutivos, fatores externos, como as tensões no Oriente Médio e seus efeitos sobre combustíveis e alimentos, mantêm a cautela em relação à política monetária.

A próxima reunião do Comitê de Política Monetária está marcada para os dias 15 e 16 de setembro.

PIB tem leve alta na previsão

O mercado também melhorou marginalmente a projeção para o crescimento da economia brasileira em 2026. A estimativa para o PIB passou de 1,92% para 1,93%.

Para 2027, a previsão permanece em 1,5%. Já para 2028 e 2029, os analistas projetam crescimento de 1,96% e 2%, respectivamente.

Os números refletem um cenário de expansão moderada. No segundo trimestre deste ano, o PIB brasileiro cresceu 0,5% em relação aos três primeiros meses de 2026. Em 12 meses, a economia acumula alta de 1,9%.

Dólar

Para o câmbio, o mercado manteve a projeção de dólar a R$ 5,20 no fim de 2026.

Para dezembro de 2027, a estimativa é de uma cotação de R$ 5,30.