Deputado Hildo Rocha: onde o trabalho deixa marcas, o povo não esquece

Há uma diferença considerável entre aparecer em uma comunidade durante uma campanha eleitoral e ser lembrado nela por aquilo que foi realizado ao longo de um mandato. A primeira situação produz fotografia. A segunda produz memória. A recente passagem do deputado federal Hildo Rocha por comunidades rurais de Barra do Corda oferece um exemplo interessante dessa diferença.

Em Campo São Francisco, Boa Sorte, Ipiranga e Barro Branco, o parlamentar foi recebido por moradores e lideranças locais. Em comum, um detalhe chamou atenção: em vez de apenas ouvir pedidos e receber cumprimentos, Hildo Rocha ouviu pessoas falando sobre ações que, segundo elas, já fazem parte da realidade dessas comunidades. Esse tipo de reconhecimento tem um peso político que não deve ser subestimado.

Boas lembranças

No povoado Ipiranga, a conhecida líder comunitária Nega do Ipiranga fez questão de lembrar a trajetória do deputado na localidade. Seu relato não foi construído em torno de promessas, mas de lembranças.

Ela contou que, anos atrás, quando surgiu a notícia de que Hildo Rocha iria ao Ipiranga, houve até quem duvidasse. Afinal, como ela própria recordou, não era comum um deputado federal aparecer por ali, principalmente em anos que não tem eleição. Hildo apareceu. E, na avaliação de Nega, a visita não terminou quando o parlamentar deixou a comunidade. Vieram depois ações que ela fez questão de enumerar: o calçamento da Rua Grande; a chegada da telefonia móvel, iniciativa que beneficia outros povoados da região; uma casa de farinha; equipamentos e, posteriormente, o tão sonhado asfalto.

É aí que a política começa a ficar interessante. Porque existe uma diferença entre dizer que se trabalha por uma comunidade e conseguir apontar aquilo que efetivamente mudou nela.

Nega poderia ter feito um discurso genérico. Poderia ter falado apenas de amizade, simpatia ou gratidão. Preferiu fazer outra coisa: apresentou uma espécie de inventário das realizações de Hildo Rocha no Ipiranga.

Sonho adiado, saúde prejudicada

A População do Ipiranga já poderia estar comemorando outra grande conquista que é a água tratada dentro de casa. Hoje a água fornecida pela prefeitura de Barra do Corda é captada do Rio Mearim e entregue nas casas sem o tratamento adequado de purificação da água, ocasionando várias doenças nos moradores da comunidade. Hildo Rocha destinou cinco milhões de reais para a prefeitura de Barra do Corda construir uma estação de tratamento de água; nova adutora; reservatório de água e nova rede de distribuição de água. Esses recursos foram liberados pelo Ministério das Cidades desde o ano de 2023 ao município de Barra do Corda. Entretanto, o prefeito Rigo Teles ainda não quis construir a obra.

Em política, memória também é patrimônio

Quem vive em uma comunidade rural sabe perfeitamente a diferença entre uma promessa e uma obra. Sabe distinguir o político que aparece para pedir apoio daquele que volta para prestar contas. Sabe quem chegou apenas com discurso e quem conseguiu abrir portas em Brasília para transformar reivindicações locais em investimentos.

Por isso, uma frase pronunciada por Nega merece ser destacada: “um verdadeiro líder não é aquele que deixa marca por onde passa. Ele nunca será esquecido.”

A frase talvez seja mais reveladora do que qualquer discurso preparado por assessoria. Porque uma liderança comunitária não fala apenas para uma plateia. Fala a partir da própria experiência. E, quando essa experiência está associada a obras, serviços e melhorias visíveis, a avaliação política ganha outra dimensão.

O episódio também ajuda a compreender uma realidade frequentemente esquecida pelas disputas eleitorais: Barra do Corda não termina onde acaba o perímetro urbano. Existe uma extensa zona rural, formada por comunidades que convivem diariamente com problemas de infraestrutura, mobilidade, abastecimento, comunicação e acesso a serviços públicos.

Nesses lugares, conquistas aparentemente pequenas podem ter um significado enorme. Um quilômetro de asfalto pode representar anos de espera. Uma rede de telefonia pode mudar a relação de uma comunidade com o restante do município. Um equipamento pode significar renda e autonomia para dezenas de famílias. Um calçamento pode parecer uma obra simples para quem olha de fora, mas representa uma transformação completa para quem enfrenta lama no inverno e poeira no verão.

É justamente por isso que o reconhecimento de Nega do Ipiranga merece ser observado com atenção. Ela não estava falando de um parlamentar que conhece o Ipiranga apenas pelo mapa. Estava falando de alguém que, segundo seu relato, esteve lá por várias vezes, ouviu as demandas e deixou resultados que a comunidade consegue identificar.

E essa talvez seja uma das diferenças mais importantes entre política de ocasião e atuação política permanente. Na política de ocasião, o eleitor é lembrado quando chega a eleição. Na política baseada em trabalho, o eleitor se lembra do político mesmo quando não há eleição.

A recente passagem de Hildo Rocha pelas comunidades rurais de Barra do Corda parece ter produzido justamente esse segundo efeito. Em diferentes localidades, lideranças fizeram questão de destacar ações já realizadas pelo parlamentar.

Pode-se discutir política. Pode-se discordar de posições. Pode-se questionar escolhas e estratégias. Mas existe algo que nenhum discurso consegue apagar com facilidade: aquilo que permanece no cotidiano das pessoas.

No Ipiranga, Nega resumiu essa percepção de maneira direta: “aqui dentro do Ipiranga tem a sua marca.” É uma frase que vale mais do que um elogio. É uma avaliação política feita por quem mora no lugar. E talvez seja essa a medida mais exigente de um mandato: não o tamanho do discurso produzido em um palanque, mas o tamanho da marca deixada na comunidade.

No fim das contas, campanhas passam. Promessas passam. Discursos passam. O que permanece é aquilo que o povo consegue enxergar, usar e lembrar.